O filme
Akiko tinha 17 anos e morava no Japão. Morava numa sociedade conservadora, e a sua família também o era. E quando menos esperava, engravidou. E o seu parceiro rejeitava-a tanto quanto Akiko rejeitava o próprio filho.
Com medo, escondeu a gravidez da família, enfrentando tudo sozinha. Ainda menor de idade, sentiu que não tinha outra opção senão recorrer a um aborto clandestino, uma vez que, ao contar a verdade, a rejeição e o julgamento seriam inevitáveis.
Akiko acaba por morrer com sintomas profundamente complicados como hemorragias, pressão social, infeções e críticas. Quando a sua família descobre, já é tarde demais.

O Biopoder
Michel Focault define o biopoder como um conceito onde "(…) os processos de vida são levados em conta por procedimentos de poder e de saber que tentam controlá-los e modificá-los". O julgamento e a pressão da sociedade são formas de biopoder. Estes conseguem controlar as ações dos indivíduos. Este controlo pode ser postivo, mas, do outro lado da moeda, pode levar a cabo ações como aquela tomada por Akiko. O pior? O pior é que não é apenas Akiko que se sente desta forma.
O Insight
De acordo com o OpenEdition Journals, muitas mulheres relatam sentir-se julgadas ou estigmatizadas. Sentimento este levado a cabo tanto pela sociedade quanto por familiares e amigos, traduzindo-se num sentimento de culpa, levando-as a optar pela realização (ou não) do aborto. Estas mulheres simplesmente ouvem e deixam passar certos comentários preconceituosos. Comentários estes que não deveriam sequer existir.
O objetivo é claro: Deixar que cada uma destas mulheres tenha liberdade de tomar uma decisão sem que o biopoder a controle de forma silenciosa.
Ouve a história que ninguém conta.
A campanha com o slogan "Ouve a história que ninguém conta." quer aumentar a notoriedade deste criticismo àqueles mais desatentos ou indiferentes ao assunto. Para captar a atenção destes, a única opção é fazê-los sentir na pele. Ou melhor, nos ouvidos.
E será desta forma que, em conjunto com a Associação Escolha, provocaremos a reflexão e a curiosidade para ver o filme "Crepúsculo em Tóquio", levando a audiência a ouvir as vozes que nunca tiveram espaço para ser ouvidas por quem vê de fora.
Os Mupis.
Queremos que a audiência veja o filme e que, ao mesmo tempo, ouça os comentários que estas vítimas ouvem diariamente, tal como foi no caso de Akiko. Pensámos portanto numa ação de comunicação sensorial.
Como tal, pensámos num mupi com auscultadores embutidos. Ao colocarem os fones, estes irão passar uma faixa de aúdio com os comentários mais comuns quando alguém tem um filho inesperado. As pessoas nem imaginam aquilo pelo que estas vítmas passam, aquilo que ninguém conta.
Para além disso, cada Mupi irá ter um código QR embutido que ligará ao filme "Crepúsculo em toquio."

Os áudios.
Esta seria o áudio que iria passar nos auscultadores. Impactante para aqueles dispostos a abortar.
As cabines.
As cabines sensoriais serão espaços fechados com espelhos ao redor da parte de dentro. Ao entrar, a pessoa vê-se refletida enquanto ouve, nos auscultadores, os comentários preconceituosos que muitas mulheres enfrentam. A experiência simula o peso do julgamento social.




